Hoje eu acordei indignado e com mais uma polêmica do nosso
cotidiano.
Sou muito centrado nas minhas decisões, muito disso puxei da
sensatez que minha mãe me passou, de seu caráter.
Eu não dou nem dinheiro e nem comida a pedintes, na rua ou onde
for. Muitos vão me achar que não tenho coração, nem princípios. Mas é
justamente o contrário. Meus princípios não me permitem a isso e isso vem de
muito longe!
Lembro-me de uma época, tão distante quanto (sic), lá pras
bandas do Cruzeiro Novo, URV (meu Deus to velho assim?), em que tinha meus 7 ou
8 anos, eu e minha mãe na calçada esperando ônibus na Leopoldino de Oliveira,
quando um senhor pediu dinheiro à minha mãe. Enfim ela deu e ai que vem o pior.
O danado do homem simplesmente gritou com minha mãe e disse pra ela que aquilo
era esmola, pouca coisa. Lembro como se fosse hoje. Fiquei revoltado e nunca
mais aquilo saiu da minha cabeça.
Outros episódios aconteceram, entre eles, em dar dinheiro
para comprar comida e eu ver comprando carotinho, ou dar a comida e o pedinte
falar que não é porco pra comer sem carne e por ai vai.
Mas ontem foi o pior. Ao chegar do Voley com meus amigos,
reparei que em frente de casa tinha um prato de comida e um copo de plástico e
um gato comendo um pedaço de salsicha. Logo pensei: “Fizeram macumba pra
família”. Entrei e indaguei minha mãe, quando vem a resposta de que foi ela que
deu para um senhor que havia passado com fome e então ela fez uma mistura e lhe
entregou com um copo de COCA-COLA.
Quase enfartei e disse: “Poxa Mãe, Coca-cola? Tem um gato
comendo a salsicha lá mãe”.
O infeliz nem pra comer a salsicha. Mas a coca tomou toda.
Que fome é essa? Pra que pedir se não comer?
Poxa, tirar da minha família, do meu sustendo, do nosso suor
pra isso?
Quem é o ruim da história? Eu que não dou o dinheiro ou a
comida ou ele que compra cachaça ou joga a comida fora?
Sei que estou cometendo um pecado, porque o que a mão
esquerda faz, a direita não precisa ficar sabendo, porém isso me entristece.
Será que o próximo eu vou poder dar sem ter medo de que jogue fora?
Enfim, ainda tenho minhas dúvidas e acredito que há outras
formas de caridade que se possa fazer sem ser essa narrada.
Ives Accosta
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